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Ceará amplia acesso à rede de esgoto e alcança áreas vulneráveis

  • Foto do escritor: Brian Sthefano
    Brian Sthefano
  • 17 de jan.
  • 5 min de leitura
A universalização do esgotamento sanitário no Ceará passou a ganhar ritmo mais consistente após o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, com obras em andamento em áreas urbanas e periféricas e impactos diretos na saúde, no meio ambiente e na qualidade de vida da população. Imagem: Reprodução/Ambiental Ceará
A universalização do esgotamento sanitário no Ceará passou a ganhar ritmo mais consistente após o Novo Marco Legal do Saneamento Básico, com obras em andamento em áreas urbanas e periféricas e impactos diretos na saúde, no meio ambiente e na qualidade de vida da população. Imagem: Reprodução/Ambiental Ceará

Maior qualidade de vida, redução de riscos à saúde e preservação ambiental. Esses são alguns dos principais benefícios associados às residências conectadas ao sistema de esgotamento sanitário, uma infraestrutura básica que passou a avançar de forma mais consistente no Ceará nos últimos anos. A ampliação da rede tem alterado o cotidiano de comunidades que, por décadas, conviveram com soluções precárias para o destino do esgoto doméstico.


No estado, esse avanço já pode ser percebido nos números. Levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que mais de 54% dos domicílios cearenses passaram a contar com acesso à rede geral de esgoto ou a sistemas ligados à coleta, um crescimento gradual em relação aos anos anteriores e um sinal de expansão da infraestrutura de saneamento no estado.


O movimento ganhou força a partir da aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento Básico, que estabeleceu metas de universalização e estimulou novos investimentos no setor. Desde então, o Ceará passou a intensificar ações voltadas à ampliação da rede de esgoto, incluindo áreas vulneráveis e de difícil acesso, abrindo caminho para uma transformação estrutural que começa a se refletir na saúde pública, no meio ambiente e na organização das cidades.


Os avanços no Ceará desde o Novo Marco do Saneamento


A aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento Básico, instituído pela Lei nº 14.026/2020, marcou uma mudança estrutural na forma como o esgotamento sanitário passou a ser planejado e executado no Ceará. A legislação redefiniu regras para o setor, estabeleceu metas de universalização até 2033 e criou um ambiente jurídico mais favorável a investimentos de longo prazo, permitindo que estados com histórico de baixa cobertura, como o Ceará, acelerassem a expansão da infraestrutura.


Os efeitos desse novo modelo começaram a se materializar de forma mais clara a partir da consolidação da Parceria Público-Privada (PPP) firmada entre a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e a Ambiental Ceará, responsável pela ampliação, operação e manutenção dos sistemas de esgotamento sanitário em 24 municípios cearenses. Segundo balanço divulgado em setembro de 2025, o estado avançou 479 quilômetros na implantação de novas redes de esgoto desde o início da operação da parceria, em 2023 — um salto expressivo em comparação com o ritmo observado em anos anteriores.


Além das redes já implantadas, o contrato prevê a ampliação contínua da infraestrutura de esgotamento sanitário. Cerca de 400 quilômetros adicionais de redes estão incluídos no cronograma de obras da parceria, com frentes de trabalho distribuídas por diferentes regiões do estado. Um dos pacotes anunciados envolve intervenções em 17 municípios, incluindo a construção de redes coletoras, linhas de recalque, estações elevatórias e sistemas de tratamento, com foco em áreas periféricas e localidades historicamente excluídas do serviço.


No horizonte de longo prazo, a meta estabelecida é levar o esgotamento sanitário a 90% dos moradores de 24 municípios até 2033, em consonância com as diretrizes da Lei nº 14.026/2020. A estimativa é beneficiar mais de 4 milhões de pessoas ao longo dos 30 anos de contrato, sobretudo em cidades da Região Metropolitana de Fortaleza e em polos urbanos do interior, onde a ausência de coleta e tratamento de esgoto impactou, por décadas, indicadores de saúde pública e qualidade de vida.


Embora a universalização ainda represente um desafio — especialmente em áreas vulneráveis, comunidades de difícil acesso e zonas com ocupação irregular —, o volume de obras executadas e contratadas indica uma mudança de patamar no setor. Diferentemente do período anterior ao Novo Marco do Saneamento, quando a expansão ocorria de forma pontual e descontinuada, o Ceará passou a operar com metas definidas, planejamento de longo prazo e investimentos estruturados, consolidando um avanço que começa a redesenhar o mapa do saneamento no estado.


O que mudou na vida de quem vive onde a rede chegou


No bairro Santo Antônio, em Juazeiro do Norte, a presença das obras de esgotamento sanitário começou a alterar a rotina de moradores que por décadas conviveram com lama, mau cheiro e riscos constantes à saúde. A intervenção integra um pacote de obras executadas em 2025 por meio da Parceria Público-Privada (PPP) entre a Ambiental Ceará e a Cagece, que já implantou mais de 100 quilômetros de nova rede na cidade, beneficiando diretamente cerca de 40 mil moradores de bairros como Frei Damião, São José, Antônio Vieira, Triângulo e Santo Antônio.


Dona Joana, de 62 anos, que mora no bairro Santo Antônio com toda sua familía, descreve a mudança como visível em cada esquina. “Antes, quando chovia, tudo virava lama e esgoto corria na rua”, conta ela. “Meus netos não podiam brincar na frente de casa, tinha dia que a gente nem abria a porta por causa do cheiro. Agora está melhor, já dá pra sentir a diferença.” O marido dela, o Sr. Célio, de 65 anos, lembra que a sujeira e a falta de infra-estrutura eram motivo de preocupação constante na família. “A gente sempre dizia que precisava chegar essa rede um dia. Porque quando chove, a água misturada com o esgoto vinha tudo, espirrava na porta, na calçada. Era ruim demais. Desde que começou a obra, já dá pra ver que a rua fica mais limpa e, pelo menos, não tem aquele cheiro forte todo o tempo”, afirma.


As obras que transformam a paisagem do bairro estão ligadas a um esforço maior para aumentar a cobertura do saneamento no município. Só em 2025, a rede de esgoto de Juazeiro do Norte cresceu mais de 100 km, elevando o percentual de cobertura do serviço para cerca de 46,38%, segundo balanço divulgado pela Ambiental Ceará — um avanço considerável em relação ao histórico recente de cobertura na cidade.


Para moradores como dona Joana e o Sr. Célio, as mudanças vão além do aspecto físico. “A gente percebe nas crianças”, diz Joana. “Elas ficam menos doentes, principalmente quando chove. Antes, toda chuva era sinônimo de gripe, diarreia ou alergia. Hoje parece diferente. A gente ainda precisa esperar terminar tudo, mas já mudou pra melhor.”


Esse diálogo entre a experiência cotidiana dos moradores e os números das obras reforça como a chegada da rede — mesmo antes da conclusão total do projeto — já está proporcionando impactos concretos na vida das pessoas, reduzindo a exposição a acúmulos de resíduos e criando condições mais seguras de convivência nas ruas e dentro de casa.


Expectativas até 2033 e o futuro do saneamento no Ceará


A expansão do esgotamento sanitário no Ceará avança com metas definidas até 2033, prazo estabelecido pelo Novo Marco Legal do Saneamento Básico (Lei nº 14.026/2020) para a universalização dos serviços no país. No estado, a estratégia passa pela Parceria Público-Privada firmada entre a Cagece e a Ambiental Ceará, que prevê investimentos bilionários e a ampliação gradual da rede de coleta e tratamento de esgoto em dezenas de municípios, com foco em áreas urbanas, periféricas e de difícil acesso.


Atualmente, novas obras seguem em execução ou em fase de planejamento em diferentes regiões cearenses, ampliando redes coletoras, estações elevatórias e sistemas de tratamento. A expectativa é que, até o fim da próxima década, cerca de 90% da população atendida pela Cagece esteja conectada ao sistema de esgotamento sanitário, reduzindo desigualdades históricas e aproximando o estado das metas nacionais. A experiência acumulada nos primeiros anos da PPP indica avanços consistentes, ainda que o desafio técnico e logístico siga elevado.


Para moradores de bairros que começaram a receber a infraestrutura apenas recentemente, como em Juazeiro do Norte e na Região Metropolitana de Fortaleza, o horizonte de 2033 representa mais do que números e prazos legais. A consolidação do saneamento básico aponta para impactos duradouros na saúde pública, na preservação ambiental e na qualidade de vida, transformando uma demanda histórica em política estruturante e reposicionando o saneamento como elemento central no desenvolvimento do Ceará.


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